Mas as razões surpreendem.
Em França, um grande inquérito junto de antigos caçadores gerou bastante debate. Milhares de homens e mulheres que antes iam para a floresta com espingarda, cão ou falcão já não caçam hoje. As conclusões do estudo podem ser facilmente aplicadas a outros países europeus - incluindo a Alemanha. E levantam uma pergunta incómoda: porque é que tanta gente abandona a caça, apesar de ter investido tempo, dinheiro e energia para obter uma licença de caça?
Estudo com mais de 9.000 ex-caçadores
A investigação foi realizada pelo conceituado instituto de estudos de opinião IFOP, a pedido da federação francesa de caça. No total, foram inquiridas 9.181 pessoas, todas com um ponto em comum: actualmente já não caçam, embora tenham sido activas no passado ou até tenham concluído o exame da licença de caça.
No estudo surgem três grandes grupos:
- 7.623 antigos caçadores activos, que pararam por decisão própria
- 657 pessoas que reprovaram no exame da licença de caça
- 901 pessoas que passaram no exame, mas nunca chegaram a validar oficialmente a licença
Desta forma, fica disponível um dos maiores retratos de percepções sobre a caça moderna. E mostra com bastante clareza onde a prática falha - e porque é que gerações inteiras de caçadores correm o risco de se perder.
"A caça perde pessoas não só antes do primeiro disparo - mas também a meio da vida de caçador."
Porque é que caçadores activos deixam a caça
Quem já estava inserido no dia-a-dia da caça raramente termina o percurso por um único motivo. Os participantes puderam assinalar várias opções - resultando num mosaico de razões pessoais, financeiras e sociais.
O dinheiro torna-se o principal problema
No topo da lista está o custo. 28 por cento dos antigos caçadores apontam as despesas como o factor decisivo para sair. E aqui não se fala apenas da taxa única da licença, mas de todo o conjunto:
- quotas da associação de caça ou do terreno cinegético
- armas, ópticas, munições
- treino de tiro, seguros, formações
- custos de deslocação para o terreno e equipamento, de botas a roupa de camuflagem
Sobretudo os caçadores mais jovens, com rendimentos ainda instáveis, ou famílias que têm de contar cada euro, acabam por desistir rapidamente. A caça entra em competição directa com renda de casa, carro, férias e cuidados com as crianças.
O corpo e a saúde deixam de aguentar
26 por cento referem motivos de saúde ou limitações físicas. Quem passou décadas no exterior, com vento, chuva e neve, mais cedo ou mais tarde sente os joelhos, as costas ou a visão. Para muitos caçadores mais velhos, aquilo que antes representava liberdade passa a ser demasiado exigente.
Horas seguidas em espera, terreno difícil de percorrer, equipamento pesado - tudo isto, com a idade ou depois de uma doença, torna-se simplesmente excessivo. Quem não encontra uma alternativa cinegética adequada, como terrenos mais acessíveis ou postos elevados perto de casa, muitas vezes abandona por completo.
Menos caça, menos interesse
25 por cento
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