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A França começou a produzir os novos mísseis balísticos M51.4 para armar os submarinos nucleares modernizados da classe Triomphant.

Homem com capacete e fato azul segura torpedo junto a submarino atracado num porto ao pôr do sol.

França dá início à produção do míssil balístico M51.4 para os submarinos nucleares classe Triomphant

Numa publicação nas redes sociais divulgada ontem, o ministro da Defesa francês, Sébastien Lecornu, confirmou que a França arrancou com a produção dos novos mísseis balísticos M51.4, destinados a armar os submarinos nucleares modernizados da classe Triomphant - um dos elementos centrais das suas capacidades de dissuasão estratégica. Este armamento será financiado através das verbas previstas na Lei de Programação Militar e terá como principal responsável pelo desenvolvimento a Ariane Group, a mesma empresa que liderou o desenvolvimento dos foguetões Ariane 6 utilizados pela European Space Agency (ESA) em missões espaciais recentes.

Investimento, enquadramento orçamental e anúncio oficial do M51.4

O anúncio era há muito aguardado por analistas de defesa franceses, sobretudo depois de terem sido confirmados investimentos significativos que podem chegar aos 7,5 mil milhões de euros em diversas autorizações associadas ao programa. Essas autorizações constavam dos projectos de lei do orçamento para o ano em curso e surgiram no contexto da apresentação feita pelo deputado François Cormier-Bouligeon em Outubro de 2024.

Ainda assim, para lá da confirmação feita por Lecornu, não foram divulgados detalhes técnicos adicionais sobre o míssil, nem foram avançadas datas concretas para a sua entrada formal nos arsenais da frota de submarinos da Marinha Nacional.

Com base em declarações oficiais reunidas sobre o tema, o ministro Lecornu afirmou: “Nossa capacidade de dissuasão autônoma e soberana é a pedra angular de nossa ferramenta de defesa. Os investimentos previstos na lei de programação militar garantem sua manutenção diária e sua modernização para se adaptar às ameaças crescentes. Em seu componente oceânico, é o caso dos mísseis estratégicos M51 produzidos pela Ariane Group, dos quais acabamos de lançar a produção de sua futura versão, o M51.4.“

Evolução incremental do programa M51 e a Força Oceânica Estratégica (FOST)

Este enquadramento também ajuda a clarificar a lógica seguida por Paris no programa de mísseis M51: uma abordagem incremental, assente na adaptação contínua das capacidades e do desempenho ao longo dos anos, com o objectivo de manter o sistema alinhado com exigências contemporâneas. Trata-se de um ponto essencial para aquilo que o ministro descrevia como “capacidade de dissuasão autônoma“, reflectida, neste caso, através da Força Oceânica Estratégica (FOST) e dos seus submarinos do tipo SNLE.

O M51.3: testes recentes, cronologia e melhorias reportadas

No que diz respeito aos antecedentes mais próximos desta trajectória, importa recordar que a Marinha Nacional francesa deverá dispor, num futuro próximo, dos mísseis estratégicos M51.3. Estes foram testados sem as suas ogivas nucleares durante o ano de 2023 no campo de testes da Direção-Geral de Armamentos (DGA), na região de Landes, tendo sido igualmente registados outros lançamentos em 2020 e 2021 - tanto a partir de submarinos como de locais de lançamento em terra.

O desenvolvimento do M51.3 teve início em 2014 e destacou-se não só por uma ampliação considerável do alcance, mas também pela capacidade de penetrar em ambientes inimigos onde tenham sido implementadas defesas aéreas.

Modernização da classe Triomphant no âmbito da IPER

Quanto aos trabalhos de modernização actualmente em curso na já referida classe Triomphant, apesar de o programa permanecer altamente classificado, foram observadas imagens que mostravam várias estruturas de andaimes em redor da vela e ao longo do casco. Em paralelo, relatórios locais indicam que estes submarinos estão a receber novos sensores para substituir os que são considerados obsoletos, ao mesmo tempo que é efectuada uma revisão dos reactores responsáveis pela sua propulsão.

Em termos gerais, este processo integra a Indisponibilité Périodique pour Entretien et Réparations (IPER), a que as unidades são submetidas a cada dez anos, com trabalhos executados pela Naval Group em coordenação com a DGA.

Imagens utilizadas a título ilustrativo

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