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Deve usar emojis no trabalho? Estudo revela a resposta.

Homem preocupado olha para o telemóvel numa sala de trabalho cheia de pessoas e emojis de mensagens flutuantes.

Um pequeno rosto amarelo pode, em silêncio, mudar a forma como alguém o vê no trabalho. Sim, algo tão pequeno pode influenciar se um colega acha que soa inteligente, descuidado, simpático ou até pouco profissional.

Em conversas informais, os emojis parecem inofensivos. Mas em mensagens no local de trabalho, tendem a ter um peso maior do que a maioria das pessoas imagina.

Um estudo da Universidade de Ottawa analisou mais de perto este efeito pouco óbvio.

Os emojis não captam bem as emoções no local de trabalho

Pense numa conversa cara a cara. Uma sobrancelha levantada, um sorriso ou até o silêncio conseguem mudar o sentido num instante. Agora retire tudo isso. O que fica é texto simples - exactamente o que acontece em emails e em aplicações de chat.

Para colmatar esta falha, as pessoas começaram a usar emojis. Estes símbolos funcionam como atalhos para emoções. Aliás, os investigadores descrevem-nos como uma espécie de linguagem corporal digital.

Ajudam a sinalizar o tom quando as palavras, por si só, não chegam. Mas há um problema: os locais de trabalho funcionam com regras sociais. Nem todas as emoções servem para todas as situações. Por isso, os emojis nem sempre ajudam - e, por vezes, acabam por jogar contra quem os usa.

O que as pessoas realmente viram

Os investigadores da Universidade de Ottawa criaram mensagens simples de contexto profissional: algumas positivas, outras neutras e outras negativas. Depois, acrescentaram emojis a algumas e, noutras, não colocaram emoji nenhum. Em seguida, os participantes leram as mensagens e avaliaram quem as tinha enviado.

O desenho do estudo foi engenhoso. Uma frase como “Temos excelentes cadeiras novas para o escritório” podia surgir com um emoji sorridente, um emoji zangado, ou sem qualquer emoji. Assim, foi possível testar como cada versão alterava a percepção.

O resultado? As pessoas prestaram atenção tanto às palavras como ao emoji. Até uma pequena discrepância entre os dois saltava imediatamente à vista.

Sem emoji, sem problema

De forma surpreendente, a opção mais segura foi também a mais simples. As mensagens sem emojis pareceram as mais profissionais. Quem as lia via o remetente como mais competente e mais sério.

Os emojis positivos não prejudicaram muito, mas também não ajudaram por aí além. Se a mensagem já soava bem, acrescentar um sorriso não melhorava a impressão - ficava lá, com pouco impacto.

Já os emojis negativos contaram outra história. Um único rosto zangado bastou para baixar a percepção de competência de quem enviava a mensagem. Esse emoji tingia a leitura de todo o conteúdo, mesmo quando a frase em si não tinha nada de problemático.

Quando os emojis transmitem a mensagem errada no trabalho

O estudo mostrou que as pessoas reagem com força a sinais contraditórios. Imagine ler uma queixa e, no fim, encontrar um emoji alegre. A sensação é estranha e quase artificial.

Esta falta de alinhamento gera confusão. O remetente está a falar a sério ou a brincar? Está a ser honesto ou a esconder alguma coisa? Essa incerteza mina a confiança e, com o tempo, pode até afectar o trabalho em equipa.

Mesmo quando o emoji combinava com o conteúdo, os negativos continuaram a deixar uma impressão desfavorável. Ou seja: alinhar o tom é importante, mas o tipo de emoji pesa ainda mais.

Os emojis falham quando há críticas no local de trabalho

Muitas pessoas tentam suavizar uma crítica acrescentando um emoji simpático.

Em vez de diminuir a tensão, isso muitas vezes faz a mensagem parecer pouco sincera. Uma frase crítica com um rosto sorridente pode soar forçada, como se quem escreve não estivesse a ser genuíno.

Aqui, ganha a comunicação clara e directa. As pessoas preferem franqueza a enfeites. Uma frase bem escrita tem mais força do que qualquer emoji colocado por cima.

O tom é tudo

Se há uma lição que se destaca, é esta: as palavras fazem o trabalho pesado. Os emojis apenas ajustam o tom de forma ligeira - e, por vezes, na direcção errada.

Frases positivas criam naturalmente melhores impressões. As neutras mantêm-se seguras. As negativas exigem cuidado na formulação. Um emoji inadequado pode desequilibrar tudo para pior.

Em muitos casos, o melhor é deixar a mensagem limpa: sem símbolos extra, sem confusão, sem sinais mistos.

Uma nuance discreta: diferenças de género

O estudo também reparou em algo curioso na forma como as pessoas avaliam mensagens. As mulheres tenderam a classificar de forma mais dura mensagens negativas enviadas por outras mulheres do que mensagens semelhantes enviadas por homens.

Isto pode estar ligado a expectativas sociais. A sociedade muitas vezes aplica padrões diferentes sobre como homens e mulheres “devem” expressar emoções, sobretudo no trabalho. Mesmo em mensagens de texto, essas expectativas não desaparecem.

Ainda assim, este efeito foi pequeno quando comparado com factores maiores, como o tom e a escolha do emoji.

Como usar emojis no local de trabalho com bom senso

Então, vale a pena deixar de usar emojis no trabalho? Não necessariamente. Mas convém pensar antes de os incluir.

Uma mensagem simples e clara costuma ser suficiente. Emojis positivos podem funcionar em conversas leves e amistosas. Emojis negativos são arriscados e, na maioria dos casos, não compensam.

Acima de tudo, concentre-se no que quer dizer. Se a sua mensagem é forte, não precisa de decoração. Se a sua mensagem é confusa, um emoji não a vai salvar.

A comunicação no local de trabalho não serve apenas para partilhar informação: molda a forma como os outros o vêem. E, por vezes, algo tão pequeno como um rosto amarelo pode decidir essa impressão.

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